A corrida para excelência não tem linha de chegada.
David Rye

terça-feira, 8 de março de 2011

Mercado de seguros não deve ter pressa em crescer, aconselha presidente da Chubb

Por Márcia Alves


Em Palestra do Meio-Dia da APTS, realizada nesta terça-feira, 15 de fevereiro, o presidente & CEO da Chubb Seguros, Acacio Queiroz, apresentou o tema "Economia do Brasil e o Mercado Segurador - Perspectivas 2011" para uma plateia de profissionais de seguros que lotou o auditório do Sindicato das Seguradoras de São Paulo (Sindseg-SP). Com base em estudos sobre o desempenho de diversos segmentos econômicos, ele traçou um panorama otimista para a economia brasileira nos próximos quatro anos e um cenário ainda mais animador para o desenvolvimento do seguro.


Mesmo considerando que o crescimento do PIB deva se manter na casa dos 5% nos próximos anos, Acacio Queiroz manifestou sua preocupação com a elevação da inflação, que no último ano chegou a 5,9% e que poderá se manter nesse patamar em 2011. Ele lembrou que no passado a instabilidade da moeda provocou a estagnação dos seguros de vida. "É importante mantermos o desenvolvimento da economia nacional, tanto quanto o controle sobre a inflação", disse.


O saldo positivo da balança comercial brasileira registrado em 2010 também deverá ser repetido neste ano, sobretudo por conta da valorização de algumas commodities (feijão, alimentos, metais etc.), nas quais o Brasil é especialmente favorecido. Acacio Queiroz apontou essa condição como extremamente favorável ao melhor desempenho do seguro, principalmente para os ramos de importação e exportação.


A única ameaça, a seu ver, são as mudanças nas regras de resseguro (Resoluções 224 e 225 do CNSP), que, se vigorarem, poderão representar a volta ao estado de monopólio e, mais grave, a elevação considerável dos preços do resseguro. "Esta seria a pior notícia que o mercado poderia ter", disse.


Brasil à frente


De acordo com Acacio Queiroz, o mercado de seguros brasileiro está à frente dos mercados de outros países emergentes, embora figure em terceiro lugar no ranking, atrás da China e da Índia, que juntas possuem uma população de mais de 3 bilhões de pessoas. A diferença, segundo ele, é que em termos de consumo médio da população o Brasil supera ambos.


Na economia, outra diferença é o volume das reservas brasileiras que já atingem US$ 300 bilhões. Ele observa que este montante está aumentando ainda mais em virtude da quantidade de dólares adquiridos pelo governo brasileiro, na ânsia de deter a desvalorização da moeda americana. Sua aposta é que o governo não terá êxito nessa tarefa porque também estão crescendo os investimentos estrangeiros no país. "Embora a economia americana e europeia estejam se recuperando a ponto de oferecem concorrência aos países emergentes, eles não têm commodities como as do Brasil e tampouco um mercado interno como o nosso", analisou.


A parte de cada um


O crescimento do mercado interno brasileiro poderá gerar muitos negócios ao mercado de seguros, na opinião de Acacio Queiroz. Um dos indicadores que reforçam sua tese é o crescimento das vendas de bens de consumo, a evolução do salário mínimo e a ascensão das mulheres no mercado de trabalho. No caso do salário mínimo, por exemplo, houve um crescimento de 72% entre 1995 e 2010. Para ele, esse dado merece a atenção do setor de seguros, porque, segundo estatísticas, metade da população recebe um salário mínimo. "Eles são a base da pirâmide e, juntamente com a classe C, movimentam a economia", explicou.


Baseado em estudos, Acacio Queiroz informou que se essa tendência for mantida, em 2014 a classe C, que no último ano registrou consumo de R$ 500 bilhões, deverá representar 56% da população brasileira, algo positivo tanto para a economia quanto para o seguro. "O seguro tem um enorme horizonte à frente, mas as empresas precisarão inovar ou redesenhar seus produtos, oferecendo ao menos cinco novos por ano, se não quiserem ficar para trás", advertiu.


O presidente da Chubb fez os cálculos e concluiu que, nos próximos anos, os seguros com maior potencial de crescimento são os de riscos de obras (17%), grandes riscos empresariais (15%), habitacional (13%), previdência (12%), saúde (12%) e vida e acidentes pessoais (11%). Para ele, a visão de futuro da economia e do seguro é "maravilhosa", mas cada um deve fazer a sua parte, sem esperar que o governo faça tudo sozinho. "Temos de contribuir para as reformas, mas temos de reivindicar mais, contestar mais e fazer a nossa parte", disse. Acacio Queiroz acrescentou que o seguro tem um enorme espaço para crescer, mas "precisa ir devagar", aconselhou.


Fonte: Midiaseg

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